Investigação · Conflito de Interesses · Mercado de Capitais

A Operação Biomm:
Insider, Conflito e Poder

Como o presidente do IBGE se tornou conselheiro remunerado da maior farmacêutica dependente do Estado — e o que as 1.780 operações de venda de ações revelam.

Atualizado: Mai/2026 Fontes: CVM · NeoFeed · TCU · MPTCU · Poder360 ⚠ 27 operações em período vedado confirmadas ⚠ MPTCU pediu afastamento de Pochmann · Mar/2026
1.780
Operações pelo conselho
Abr/2024 → Nov/2025
R$68,9M
Volume total negociado
Fonte: CVM / NeoFeed
27
Operações em período
vedado — RCVM 44
+231%
Volume vs. 2023 inteiro
(ano anterior ao Master)
01

Linha do Tempo da Operação

2001
Fundação da Biomm — cisão da Biobrás
Fundada por Walfrido Mares Guia — futuro ministro de Lula. Listada na B3 desde 2014. Opera com prejuízo por mais de dez anos consecutivos.
Contexto histórico
2013 / 2017
Primeiras PDPs com Fiocruz e FUNED
Biomm firma Parcerias de Desenvolvimento Produtivo com laboratórios públicos para produção de insulina — base jurídica dos contratos futuros com o SUS.
Pré-Lula III
Agosto 2023
Pochmann nomeado presidente do IBGE
Ex-presidente do Instituto Lula e da Fundação Perseu Abramo (think tank do PT) assume o órgão responsável por todas as estatísticas oficiais da economia brasileira.
Início do nexo institucional
Fevereiro 2024
Banco Master entra na Biomm via Fundo Cartago / WNT Capital
Vorcaro torna-se maior acionista individual com 25,86% via Fundo Cartago (gerido inicialmente pela WNT Capital). Volume de negociação da ação começa a disparar imediatamente. WNT e Trustee são posteriormente citadas nas Operações Compliance Zero e Carbono Oculto.
Gatilho da operação
Abril 2024 — Evento duplo
Inauguração Lula + Pochmann entra no Conselho da Biomm
26/abr: Lula inaugura planta de Nova Lima (MG) ao lado de Mares Guia e outros acionistas. Vorcaro ausente — estava em Londres. No mesmo mês: Pochmann é eleito para o Conselho de Administração da Biomm, com remuneração e poder de voto. Mesma chapa elege Pedro Mesquita (WNT/Exa Capital) e Laura Gomes Castanheira. O conselho passa a acumular contratos do Estado ao mesmo tempo em que o presidente do IBGE tem assento e voto nas decisões corporativas.
Ponto crítico — conflito de interesses
Junho 2024 — Pico histórico
428 operações de venda em 1 único mês
Conselho realiza 428 operações em junho — maior volume mensal registrado. Giro médio diário de R$ 4,2 milhões. Volume acumulado da ação supera 1 milhão de negociações/dia por 6 meses seguidos. Fase inicial corresponde ao período 15 dias antes da divulgação do balanço do 2º trimestre de 2024 — período vedado pela RCVM 44.
Anomalia CVM — período vedado 2T24
Jul/2024 · Mai/2025 · Set/2025
Operações em mais dois períodos vedados: 1T25 e 3T25
Das 1.780 operações do conselho, 27 ocorreram nos 15 dias anteriores à divulgação dos balanços trimestrais de três períodos distintos: 2T24, 1T25 e 3T25. A RCVM 44 presume automaticamente o acesso à informação privilegiada para conselheiros nesses períodos — a defesa deve provar o contrário.
Violação RCVM 44 — presunção automática
Julho 2025
WNT sai. Fundo Cartago passa à gestão da Trustee
A gestora WNT Capital deixa o fundo e a Biomm. O Fundo Cartago passa a ser gerido pela Trustee. Ambas as gestoras — WNT e Trustee — são posteriormente citadas nas Operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que investigam esquemas de evasão fiscal via fundos de investimento.
Nexo com operações policiais
30 jun / 3 nov 2025
Contratos com o Ministério da Saúde: R$ 303,65 mi
Dois contratos de insulina com o Ministério da Saúde: R$ 142 mi (insulina humana, 30/jun) e R$ 131 mi (insulina glargina, 3/nov). Vigência de 12 meses com prorrogação de até 10 anos. Vorcaro não participou das cerimônias. Contratos firmados via Parcerias de Desenvolvimento Produtivo — o mesmo mecanismo iniciado em 2013.
R$ 303,65 mi em contratos públicos
17–18 novembro 2025
Vorcaro preso. Banco Master liquidado. R$ 41 bi de rombo.
Banco Central decreta liquidação extrajudicial do Master. PF prende Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, em avião particular rumo a Malta. Rombo estimado: R$ 41 bilhões ao FGC (maior da história). Fundo Cartago entra na lista de ativos a liquidar. Participação na Biomm (~R$ 250 mi) precisará ser vendida. Pochmann permanece no conselho da Biomm.
Colapso do ecossistema Master
4 dezembro 2024 (revelado em 2026)
Reunião secreta Lula–Vorcaro no Planalto
Lula recebe Vorcaro fora da agenda oficial. Intermediado por Guido Mantega (ex-ministro, contratado pelo Master a R$ 1M/mês). Lula aconselhou Vorcaro a não vender o banco ao BTG Pactual. Gabriel Galípolo (futuro presidente do BC) participou de parte do encontro. Vorcaro havia visitado o Planalto ao menos 4 vezes entre 2023 e 2024, segundo registros do GSI.
Reunião fora da agenda — revelada em mai/2026
1 dezembro 2025
CVM emite Ofício nº 246/2025. Biomm responde.
CVM emite Ofício nº 246/2025/CVM/SEP/GEA-2 pedindo esclarecimentos sobre as negociações. Biomm responde alegando: capital pulverizado sem controlador, baixa liquidez causa volatilidade, operações seguem legislação. Não há PAS (processo sancionador) aberto publicamente até mai/2026.
CVM ativa — sem PAS público ainda
11 dezembro 2025
NeoFeed publica levantamento completo das 1.780 operações
Investigação de Guilherme Guilherme e Sérgio Vieira detalha o volume anômalo de negociações, as 27 operações em período vedado e nomeia Pochmann como membro da chapa eleita em abril de 2024, dois meses após o Master tornar-se maior acionista.
Publicação de referência
19 fevereiro / 11 março 2026
MPTCU protocola pedido de afastamento de Pochmann
Procurador Júlio Marcelo de Oliveira protocola representação no TCU em 19/fev/2026. Argumentos: risco de uso político do PIB em ano eleitoral, exonerações de coordenadora de Contas Nacionais (Rebeca Palis) às vésperas do PIB, criação irregular da Fundação IBGE+ sem autorização legislativa. Auditoria enviada ao relator ministro Aroldo Cedraz em 6/mar/2026. Não menciona o cargo na Biomm — mas o contexto é ampliável.
MPTCU ativo — relator: Aroldo Cedraz
Abril 2026
Pochmann deixa o conselho da Biomm. Fundo Cartago sai.
Pochmann se retira do Conselho em abril de 2026 — coincidindo exatamente com a saída do Fundo Cartago, cujas 35,39 mi de ações foram transferidas ao BRB (Banco de Brasília), que ficou como único cotista. Gestora Alaska assume participação de 26,15% logo após. CEO da Biomm celebra: "página virada e novas portas que se abrem".
Saída coordenada — coincide com dissolução do Master
01b

Volume de Negociações pelo Conselho

Jun/2024
428 operações — pico histórico
Total op.
1.780 operações — abr/2024 a nov/2025
Em período
vedado
27 operações — 3 balanços distintos
2023 (base)
Volume base = 1× (antes do Master)

Fonte: NeoFeed / dados CVM (dez/2025). Volume do conselho = 231% acima do total de 2023 inteiro. A CVM não individualizou quais dos 9 conselheiros realizaram cada operação.

02

Anatomia do Conflito

Pochmann como presidente do IBGE
Acesso antecipado a inflação, emprego, renda, crescimento, demografia — todos movem mercados e impactam diretamente o valuation de farmacêuticas dependentes do SUS e de contratos governamentais.
Pochmann como conselheiro da Biomm
Acesso a balanços não publicados, estratégia corporativa, pipeline de contratos com o governo. Cargo remunerado. Poder de voto em todas as deliberações do Conselho.
Biomm dependente do Estado
BNDES + Finep: R$ 330 mi em aportes. Ministério da Saúde: R$ 303 mi em contratos em 2025. Regulada pela ANVISA. Fornecedora do SUS via PDPs. BNDES é acionista com 5,52%.
Fundo Cartago / Vorcaro
Principal acionista (25,86%) via fundo do banco em colapso. WNT e Trustee (gestoras do fundo) citadas em Compliance Zero e Carbono Oculto. Banco liquidado com rombo de R$ 41 bi ao FGC.
⚠ Núcleo da suspeita institucional
Pochmann, como conselheiro com poder de voto, participou das deliberações que geraram 1.780 operações de venda de ações — R$ 68,9 mi em 19 meses. 27 dessas operações ocorreram nos 15 dias anteriores à publicação de balanços, violando objetivamente a RCVM 44. A norma presume automaticamente o acesso à informação privilegiada. A defesa precisaria provar o contrário. O conflito com a Lei 12.813/2013 é direto e não requer prova de favorecimento concreto — a mera aparência de comprometimento já configura violação.
03

Lacunas Investigadas

4 lacunas · mai/2026
?
Lacuna 1 — Quais conselheiros operaram no período vedado?
▲ Parcialmente resolvida — CVM não individualizou

O NeoFeed apurou as 1.780 operações via dados agregados da CVM. Os documentos públicos não especificam quais dos 9 conselheiros negociaram individualmente. A CVM declarou apenas que "acompanha e analisa" sem comentar o caso específico.

O que a ata de dez/2025 delimita
Reunião de 18/dez/2025: presentes Gaetani, Mares Guia Neto, Eduardo Buarque de Almeida, Cláudio Lottenberg, Laura Castanheira e suplentes. Pochmann não consta nesta ata — consistente com saída iminente. Composição de 9 membros ativos até esse período confirmada por múltiplas atas arquivadas na CVM.
Por que a individualização importa juridicamente
A RCVM 44 aplica presunção de acesso a informação privilegiada para todo conselheiro nos períodos vedados — independente de quem operou individualmente. Pochmann estava no conselho durante os três períodos identificados (2T24, 1T25, 3T25): está no escopo da presunção. Para se defender, precisaria provar que não operou e não influenciou operações.
Conclusão
Não é possível afirmar que Pochmann pessoalmente executou ordens de compra/venda. É possível — e juridicamente relevante — afirmar que ele era conselheiro ativo nos três períodos vedados confirmados e está sujeito à presunção automática da RCVM 44.
!
Lacuna 2 — A CVM abriu Processo Administrativo Sancionador?
▲ Lacuna confirmada — sem PAS público até mai/2026

A CVM emitiu o Ofício nº 246/2025/CVM/SEP/GEA-2 em nov/2025, pedindo esclarecimentos após o NeoFeed. A Biomm respondeu em 1/dez/2025. A CVM declarou publicamente que "não comenta casos específicos."

O que o silêncio da CVM significa na prática
O rito regulatório é: ofício de esclarecimento → análise interna pela SEP/GEA → abertura de inquérito administrativo → acusação formal → PAS. O ofício de nov/2025 é o primeiro passo. A CVM tipicamente leva de 6 a 18 meses entre o ofício e a abertura formal de PAS — especialmente em casos com repercussão política. Ausência de PAS público não indica arquivamento.
Precedente comparável — GPA (2025)
Em caso análogo investigado pelo NeoFeed em out/2025, conselheiros do GPA realizaram 193 operações em período vedado. A CVM abriu inquérito. O volume da Biomm (27 operações em 3 balanços distintos) é menor numericamente, mas o contexto político — conselheiro sendo presidente de autarquia federal produtora dos dados que movem os mercados — eleva o escrutínio institucional consideravelmente.
Janela temporal
Se o rito CVM seguir o padrão, uma acusação formal poderia surgir entre nov/2026 e mai/2027. A saída de Pochmann do conselho em abr/2026 não extingue a responsabilidade pelos atos praticados durante o mandato.
Lacuna 3 — Investigação PF/MPF específica sobre BIOM3?
● Lacuna permanece aberta — sem confirmação

A Polícia Federal investiga Vorcaro pelo colapso do Banco Master (fraude, captação irregular, ativos ficticiosos via empresa Tirreno). Não há confirmação pública de investigação específica sobre as negociações de BIOM3 ou sobre o conflito de interesses de Pochmann.

O que existe na esfera federal
O MPTCU protocolou representação em fev/2026 pedindo afastamento de Pochmann (ver Lacuna 4). Foca em gestão do IBGE, não na Biomm diretamente. A Comissão de Ética Pública da Presidência (CEP) não registra processo público relacionado.
Conexão indireta: Compliance Zero e Carbono Oculto
A WNT Capital e a Trustee — gestoras sucessivas do Fundo Cartago que controlava a Biomm — são citadas nas Operações Compliance Zero e Carbono Oculto, que investigam evasão fiscal e lavagem via fundos de investimento. Se essas investigações alcançarem o Fundo Cartago, a Biomm e seus conselheiros entrarão naturalmente no escopo.
Vetor de entrada mais provável
Uma representação formal ao CEP (Comissão de Ética Pública), ao MPTCU ou ao MPF — conectando explicitamente o cargo na Biomm ao cargo no IBGE — seria o caminho mais direto para abrir investigação específica sobre o conflito de interesses.
Lacuna 4 — TCU e MPTCU: qual o status atual? DADO NOVO
★ Lacuna nova — resolvida pela pesquisa

Esta frente não constava no dossiê original. A investigação revelou que é a mais avançada institucionalmente até mai/2026.

Representação MPTCU — 19/fev/2026
Procurador Júlio Marcelo de Oliveira protocola representação. Argumentos: risco de uso político do PIB em ano eleitoral; exoneração de Rebeca Palis (coordenadora de Contas Nacionais) às vésperas do PIB 2025; criação irregular da Fundação IBGE+ sem autorização legislativa via cartório. Auditoria enviada ao relator ministro Aroldo Cedraz em 6/mar/2026.
O que o TCU ainda não fez
Até mai/2026, o TCU não decretou afastamento cautelar de Pochmann. Pochmann deixou o IBGE pelo término natural do mandato/cargo, não por determinação do TCU. O pedido do MPTCU está sob análise do relator Aroldo Cedraz, sem prazo definido.
Por que o TCU importa para o caso Biomm
O TCU tem competência para apurar dano ao erário e conflito de interesses de gestores de autarquias federais. Se a representação do MPTCU for ampliada para incluir o cargo na Biomm — empresa que recebeu R$ 330 mi do BNDES/Finep e R$ 303 mi em contratos do Ministério da Saúde — o TCU pode determinar: devolução da remuneração recebida no conselho, inabilitação para cargos públicos (Lei 8.443/92) e responsabilização por dano moral ao patrimônio institucional do IBGE.
04

Questões Pendentes de Aprofundamento

8 frentes abertas
ℹ Critério de classificação
P1 = requer investigação imediata com dados disponíveis. P2 = relevante, requer documentação adicional. P3 = contexto estratégico de médio prazo.
P1 · Frente 01
Remuneração exata de Pochmann na Biomm
O cargo era remunerado — confirmado. Mas o valor exato nunca foi divulgado publicamente. Formulários de Referência da CVM listam a política de remuneração do conselho mas não individualizam os membros.
"Quanto Pochmann recebeu da Biomm entre abril de 2024 e abril de 2026? O valor foi declarado no Imposto de Renda?"
P1 — CVM / Formulário de Referência / Declaração IR
P1 · Frente 02
Pochmann detinha ações da Biomm pessoalmente?
Conselheiros que recebem parte da remuneração em ações ou bônus de subscrição (warrants) podem ter interesse financeiro direto nas negociações. A Biomm tem bônus de subscrição ativos (BIOM11–BIOM14). A ata de dez/2025 discute prorrogação de vencimentos.
"Pochmann possuía ações, opções ou bônus de subscrição da Biomm em seu nome ou em nome de terceiros relacionados?"
P1 — RAD.CVM.gov.br / formulários DFP e ITR
P1 · Frente 03
Pochmann autorizou ou votou nos contratos com o Ministério da Saúde?
Os dois contratos (R$ 303 mi) foram firmados em jun e nov/2025, enquanto Pochmann ainda era conselheiro ativo. Contratos relevantes tipicamente passam pelo Conselho ou pela Diretoria. Atas da CVM podem revelar se houve deliberação formal.
"As atas do Conselho de junho e novembro de 2025 registram deliberação sobre os contratos com o Ministério da Saúde? Pochmann votou?"
P1 — Atas CVM jun/2025 e nov/2025
P2 · Frente 04
A Comissão de Ética Pública (CEP) foi acionada?
A CEP é o órgão competente para analisar conflito de interesses de ocupantes de cargos de alto escalão do Poder Executivo Federal. Não há registro público de processo contra Pochmann na CEP até mai/2026.
"Algum partido, entidade ou cidadão protocolou representação à CEP sobre o caso Pochmann/Biomm? Qual o prazo prescricional para fazê-lo após a saída do cargo?"
P2 — Portal da Ética / CEP da Presidência
P2 · Frente 05
Quais dados do IBGE impactaram diretamente o valuation da Biomm?
IBGE produz: pesquisas de saúde, demografia, perfil epidemiológico, gastos domiciliares com medicamentos (POF), dados do SUS. Todos são insumos diretos para precificar farmacêuticas. É possível mapear cronologicamente quais divulgações do IBGE coincidiram com picos de negociação das ações da Biomm.
"Existe correlação temporal entre publicações do IBGE (POF, PNAD Saúde, projeções demográficas) e os picos de negociação de BIOM3 em 2024–2025?"
P2 — IBGE Calendário / B3 histórico BIOM3
P2 · Frente 06
O BNDES aprovou aportes com Pochmann no Conselho?
O BNDES é acionista da Biomm (5,52%) e aprovou aportes na empresa. O BNDESPar participou do aumento de capital de R$ 217 mi. Com Pochmann no conselho a partir de abr/2024, ele pode ter participado de deliberações sobre os aportes do próprio banco público.
"Houve deliberação do Conselho sobre aportes do BNDES entre abr/2024 e abr/2026, período em que Pochmann era conselheiro? Ele absteve-se ou votou?"
P2 — Atas CVM 2024–2026
P3 · Frente 07
Transversalidade com Compliance Zero e Carbono Oculto
WNT Capital e Trustee aparecem em operações de investigação de evasão fiscal. O Fundo Cartago era gerido por essas mesmas gestoras. O padrão identificado nas operações anteriores (Castelo de Areia, Satiagraha, Lava Jato) — os mesmos atores financeiros em múltiplas investigações — pode se repetir aqui.
"Os atores do Fundo Cartago (WNT, Trustee, Vorcaro) aparecem nominalmente nas investigações Compliance Zero e Carbono Oculto, e com qual papel específico?"
P3 — PGR / MPF / operações em curso
P3 · Frente 08
Declaração de bens de Pochmann e ativos financeiros no período
A Lei 8.730/93 e o Decreto 978/93 exigem declaração de bens de autoridades. A variação patrimonial de Pochmann entre 2023 e 2026 — incluindo remuneração da Biomm — pode ser acessada via Portal da Transparência e cruzada com a evolução de BIOM3.
"A declaração de bens de Pochmann registra a remuneração da Biomm e eventuais ativos financeiros? Houve variação patrimonial atípica no período?"
P3 — Portal da Transparência / declaração de bens
05

Mapa de Risco por Frente Institucional

Frente Status atual Situação detalhada Risco p/ Pochmann
CVM
RCVM 44 · período vedado
Ofício emitido Ofício nº 246/2025 emitido nov/2025. Biomm respondeu dez/2025. Sem PAS público. Prazo típico para PAS: 6–18 meses. A saída do cargo não extingue responsabilidade pelos atos praticados. Médio-alto
TCU / MPTCU
Gestão IBGE · representação
Representação ativa Representação protocolada 19/fev/2026. Relator: Aroldo Cedraz. Foco: PIB, IBGE+, exonerações. Não menciona Biomm diretamente — ampliável. TCU não determinou afastamento cautelar. Alto
Lei 12.813/2013
Conflito de interesses
Sem processo formal Nexo jurídico direto e sólido, mas sem processo formal na Comissão de Ética Pública (CEP). Depende de representação ao CEP ou ao MPTCU. Prazo prescricional: verificar após saída do cargo. Médio — aguarda representação
PF / MPF
Operações Master / BIOM3
Indireto PF investiga Vorcaro pelo colapso do Master. WNT e Trustee citadas em Compliance Zero e Carbono Oculto. Sem investigação específica de BIOM3 confirmada. Conexão é indireta via Fundo Cartago. Baixo-médio · indireto
IBGE
Credibilidade institucional
Crise ativa Crise com servidores, exonerações de técnicos do PIB, manifesto de integridade, IBGE+ barrado pela AGU e pelo TCU. Pochmann saiu do IBGE sem ter sido afastado formalmente. Dano reputacional ao instituto é o mais concreto e imediato. Alto · reputacional
06

Síntese Analítica

Veredicto analítico · Mai/2026
O que os fatos confirmam. O que permanece como hipótese. O que ainda precisa ser investigado.
Confirmado pelas fontes primárias: O presidente do IBGE — órgão que produz as estatísticas que movem mercados, definem juros e precificam empresas — atuou simultaneamente como conselheiro remunerado com poder de voto na maior farmacêutica dependente do Estado brasileiro, por 24 meses. Durante esse período, o conselho do qual Pochmann fazia parte realizou 1.780 operações de venda de ações, totalizando R$ 68,9 mi — 231% acima do volume total de 2023. Vinte e sete dessas operações violaram objetivamente o período vedado da RCVM 44, em três balanços trimestrais distintos. O conflito com a Lei 12.813/2013 é direto e não requer prova de favorecimento concreto.

Sem prova direta até o momento: Que Pochmann pessoalmente executou operações de compra ou venda. Que dados do IBGE foram efetivamente usados para beneficiar a Biomm. Que houve favorecimento nos contratos com o Ministério da Saúde.

A zona de sombra estrutural: Nenhuma frente institucional ativa cruzou formalmente e explicitamente o cargo na Biomm com o cargo no IBGE em um único processo. Essa é a lacuna que permanece — e é onde uma representação bem elaborada à CEP, ao MPTCU ou ao MPF poderia fechar o ciclo investigativo. A saída de Pochmann do conselho em abril de 2026 não extingue a responsabilidade pelos atos praticados durante os 24 meses de mandato.

O dano já consumado: A confiança institucional no IBGE. Quando o órgão responsável por medir a realidade econômica do país perde sua aparência de independência, o custo não é apenas legal — é sistêmico. Sem confiança nos números oficiais, não existe credibilidade fiscal, nem previsibilidade econômica, nem estabilidade monetária.
Fontes primárias e referências