RJ: ~1.100/ano
Selic 2%
RJ: 1.179
para 9,25%
RJ: 1.397
RJ: 833
Inadimp.: 64,8M
RJ: 1.405
+68,7%
RJ: 2.273
+61,8%
Estoque: 5.680
+24,3%
+5% insolvência
Ano eleitoral
| Indicador | ERA 1 · 2019–2022 | ERA 2 · 2023–2026 | Variação | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| Pedidos de RJ (pico anual) | 1.397 (2021) | 2.273 (2024) | +62,7% | Serasa Experian |
| Pedidos de RJ (menor ano) | 833 (2022) | ≥1.405 (2023) | +68,7% | Serasa Experian |
| Estoque ativo em RJ | ~2.800 (fim 2022) | 5.680 (fin 2025) | +102,8% | Monitor RGF |
| Novas entradas em RJ (ano) | ~833 (2022) | 1.665 (2025) | +99,9% | Monitor RGF |
| Taxa de falência após RJ | ~10–12% (histórico) | 29–37% (2025) | ~3× maior | Monitor RGF |
| CNPJs inadimplentes | ~5,5M (2022) | 8,9M (nov/2025) | +61,8% | Serasa / FecomercioSP |
| Dívida total empresas inadimpl. | ~R$80B | R$213B (2025) | +166% | Serasa Experian |
| PF inadimplentes | 69,4M (dez/2022) | 74,6M (jan/2026) | +7,5% | Serasa Experian |
| Inadimplência média (BC) | ~3,2% | 4,2% (jan/2026) | +31,2% | Banco Central |
| Taxa Selic (piso do período) | 2% (ago/2020) | 12,25% (início 2023) | +10,25 p.p. | Banco Central |
| Taxa Selic (teto do período) | 13,75% (2022) | 15% (2025) | maior em 19 anos | Banco Central |
| MPEs — % dos pedidos de RJ | ~60% | 73–80% | +20 p.p. | Serasa / FecomercioSP |
| Agronegócio em RJ (por mil) | ~1,5/mil | 13,53/mil | +802% | Monitor RGF |
| Insolvências corporativas (cresc. anual) | ~5% a.a. | +28% em 2025 | 5,6× mais rápido | Allianz Trade |
| Recuperações extrajudiciais (ano) | ~10–15/ano | 78 em 2025 (recorde) | 5× mais | OBRE |
| Comprometimento de renda (famílias) | ~27% (2022) | 29,2% (dez/2025) | +2,2 p.p. | CNC / Banco Central |
| Custo do crédito livre (taxa média) | ~1,4% a.m. (2021) | 32,8% a.a. (jan/2026) | maior desde nov/2016 | Banco Central |
| PIB — crescimento anual | -3,9% (2020) / +4,6% (2021) | +3,5% (2024) | PIB cresce, empresas quebram | BC / Banco Central |
O contraste mais perturbador desse painel não está nos números de insolvência em si — está no fato de que 2024 apresentou crescimento do PIB de 3,5% ao mesmo tempo em que bateu todos os recordes históricos de pedidos de recuperação judicial. Isso revela uma economia com dois andares: no térreo, o consumo das famílias e os programas de transferência sustentam o agregado macroeconômico. No andar de cima, o tecido empresarial produtivo se desintegra silenciosamente.
A Era 2 (2023–2026) herdou uma bomba-relógio da Era 1: o endividamento emergencial da pandemia (2020–2021), contratado a Selic de 2%, que precisou ser pago a Selic de 12%–15%. Cada ponto percentual de juros representa bilhões extras de serviço de dívida para empresas que já operam com margens comprimidas. O sistema não quebrou durante a pandemia porque o governo sustentou artificialmente as cadeias produtivas — mas o relógio financeiro nunca parou.
O dado mais grave é a taxa de conversão RJ→falência: saltou de 17% em 2024 para 37% no pico de 2025. Isso significa que o instrumento jurídico de recuperação está sendo usado por empresas já inviáveis — chegando ao Judiciário sem capital de giro, sem plano operacional e sem capacidade real de soerguimento.
O agronegócio é o caso mais emblemático dessa ruptura estrutural. De âncora do PIB a líder de insolvências em menos de três anos. O índice de 13,53 empresas em RJ por mil ativas — seis vezes acima da média nacional — reflete a combinação de: alavancagem agressiva nos anos de juros baixos (2020–2021), quebras climáticas (El Niño, RS), queda de preços de commodities e crédito rural cortado por inadimplência crescente.
Para 2026, a Allianz Trade projeta +5% de alta em insolvências, com reversão apenas em 2027. O ambiente será ainda mais desafiador por três razões adicionais: (1) ano eleitoral retrai crédito por incerteza; (2) a Selic, mesmo em queda, ainda estará acima de 12% durante boa parte do ano; (3) empresas que adiam decisões durante um ciclo eleitoral chegam ao período pós-eleição com menor liquidez.
A marca de 8,9 milhões de CNPJs negativados e R$213 bilhões em dívidas empresariais não é uma crise passageira de liquidez. É a manifestação contábil de uma mudança de patamar estrutural: o Brasil pós-pandemia opera com um custo de capital permanentemente mais alto, e grande parte do tecido empresarial ainda não reprecificou seus modelos de negócio para essa realidade.
Ponto de atenção positivo: as recuperações extrajudiciais chegaram a 78 casos em 2025 (recorde), sinalizando que parte das empresas está buscando reestruturação preventiva antes do colapso judicial — o que representa maturidade crescente do ecossistema jurídico-empresarial.