Uma organização criminosa estruturada em três núcleos liderados por Ricardo Stoppe Júnior, Élcio Moço e José Capelasso grilou aproximadamente 530.000 hectares de terras públicas federais no sul do Amazonas (município de Lábrea, Apuí e adjacências) e usou essas áreas como lastro para emitir créditos de carbono fictícios via projetos REDD+ certificados pela Verra — uma das maiores certificadoras do mercado voluntário global.
Os créditos gerados foram vendidos a corporações internacionais (Boeing, Gol, Nestlé, Spotify, Toshiba, iFood, Itaú, PwC) como compensação de emissões de CO₂, enquanto as mesmas áreas eram simultaneamente utilizadas para exploração ilegal de madeira. A fraude só foi possível com a corrupção sistêmica de servidores do INCRA, IPAAM e cartórios de registro imobiliário no Amazonas.
O principal investigado participou da COP28 em Dubai (dez/2023) representando o Brasil como "maior vendedor global de créditos de carbono" — menos de seis meses antes de ser preso.
Em jan/2025, após interpelação do Idec, a GOL retirou do ar o programa "Meu Voo Compensa", rompeu parceria com a Moss e apagou todas as informações do programa — sem prestar contas no Relatório de Sustentabilidade 2024 (publicado ago/2025).
Em dez/2025, o Idec entrou com ação civil pública no TJSP pedindo R$ 5 milhões por danos morais coletivos — primeira ação judicial de consumidor por greenwashing no Brasil. O programa usava tokens da Moss em vez de créditos verificados; a própria Verra havia proibido tokenização de créditos desde 2022.
As empresas que compraram créditos dos projetos Fortaleza Ituxi e Unitor poderão alegar boa-fé, mas enfrentam risco reputacional e potencial revisão de seus relatórios ESG. A Verra não invalidou retroativamente os créditos já "aposentados" (cancelados em compensação), deixando em aberto se as emissões foram de fato neutralizadas.
| Operação | Elo documentado | Natureza |
|---|---|---|
| Carbono Oculto | Família Vorcaro (Alliance Participações / Apuí) — créditos de carbono fictícios no AM + Banco Master liquidado. Infraestrutura financeira transversal: carbono como ativo de lavagem em ambas as operações. | Ator compartilhado |
| Compliance Zero | Banco Master financiava fundos REAG que investiam no setor de carbono. Linha Carbono Oculto → Compliance Zero → Greenwashing como cadeia de lavagem: crédito fictício → fundo regulado → banco frágil. | Infraestrutura financeira |
| Lava Jato | Analogia estrutural: contrato superfaturado (Petrobras) = crédito de carbono fictício (Verra). Validação institucional frágil como veículo em ambos. Evolução geracional: de doleiros para ESG. | Padrão sistêmico |
| Op. Arquimedes (2019) | Mesmos servidores do IPAAM indiciados em 2019 reaparecem na Greenwashing (2024). Captura regulatória persistente após 5 anos sem punição efetiva. | Reincidência institucional |
Sancionada em 12 dez 2024 — seis meses após a deflagração da Greenwashing. Cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), dividido em mercado regulado (operadores acima de 25.000 tCO₂e/ano) e voluntário.
- Implementação gradual em 5 fases ao longo de 6 anos
- SBCE em operação plena prevista para 2030
- Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono criada em out/2025 (Fazenda)
- Prazo para arcabouço infralegal: dezembro de 2026
- CVM regula negociação de CBEs e CRVEs no mercado de capitais
- Agronegócio excluído do mercado regulado
A Lei 15.042 foi aprovada depois da maior fraude do setor. O mercado voluntário operou entre 2019 e 2024 sem qualquer regulação nacional. Verra, uma ONG americana com sede em Washington DC, era o único árbitro de qualidade — e sua metodologia REDD+ não exigia verificação de propriedade fundiária.
- MPF: denúncia ou arquivamento? Prazo não divulgado publicamente
- 3º relatório final PF: quando será concluído?
- Qual a posição processual dos 26 indiciados além dos líderes?
- Há pedido de cooperação internacional formal (MLAT) com EUA, Holanda ou países-sede das corporações compradoras?
- Carbonext: envolvimento direto ou vítima do esquema?
- Destino dos R$ 180mi em créditos vendidos: rastreamento do fluxo financeiro completo
- Offshores: há estrutura internacional documentada no caso?
- Beneficiários finais dos fundos que compraram créditos além dos nomes públicos
- Moss: responsabilidade civil / penal como intermediária?
- Fundo AZ Quest Luna (XP): ressarcimento dos cotistas?
- Créditos já "aposentados" pelas empresas: são válidos retroativamente?
- ICMBIO: papel como órgão de controle durante o período do esquema
- IBAMA: ausência de atuação documentada nas fases anteriores
- Verra: revisão de metodologia pós-Greenwashing para verificação fundiária?
- SBCE: como o sistema regulado vai tratar projetos REDD+ existentes no mercado voluntário?
- Volume real de madeira extraída das áreas durante o período do esquema
- Situação atual das terras: retomada pela União?
- Comunidades tradicionais e indígenas afetadas pela grilagem
- Quais os 530.000 ha exatos e há sobreposição com Terras Indígenas?
- Impacto no desmatamento oficial do Amazonas (PRODES/INPE)