LAWFARE-TIMELINE · Padrões Sistêmicos · P3 × P7 · Dossiê Temático

Pandemia Capturada

Mapeamento forense dos desvios de recursos Covid-19 por unidade federativa. 77 operações da Polícia Federal. Governadores convocados e blindados pelo STF. Nenhuma condenação definitiva de mandante até 2024.

77
Operações PF (abr/20–abr/21)
R$ 2,27B+
Volume investigado
20
UFs com operação PF
9
Governadores convocados CPI
0
Mandantes condenados
Região Norte — 7 Estados · Todos com investigação PF
A região com os sistemas de saúde mais frágeis do país foi a mais sistematicamente saqueada. Amazonas, Amapá e Roraima apresentam os casos mais graves em termos de proporção entre recursos recebidos e irregularidades documentadas. O STF impediu que governadores fossem ouvidos pela CPI do Senado.
+
AM
Amazonas
Wilson Lima (PSC/UB) · Gov. 2019–2022
Gravidade Crítica PF · STJ
Operação Sangria · 4 fases · 2020–2021
A PF deflagrou 4 fases de operação investigando fraudes e superfaturamento em contratos de combate à Covid-19 no estado mais afetado do país — que chegou ao colapso total do sistema funerário em janeiro de 2021, com corpos empilhados e caixões faltando. Nas buscas, o vice-governador Carlos Alberto (PTB) foi alvo direto. O ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias e a ex-secretária executiva Dayana Mejia foram presos. Contratos superfaturados em EPI, insumos hospitalares e respiradores foram identificados. Investigação da PF apurou crimes de peculato, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
● EM ANDAMENTO
Wilson Lima depôs na CPI após operação da PF em sua residência. Processo no STJ. Sem condenação definitiva do mandante até 2024. O Amazonas registrou dois colapsos do sistema de saúde (mai/2020 e jan/2021) com mortes por falta de oxigênio.
+
AP
Amapá
Waldez Góes (PDT) · Gov. 2019–2022
10 Operações PF Múltiplas fases
10 Operações PF desde março/2020
O Amapá foi o estado com maior número de operações da PF relacionadas a desvios de recursos Covid-19: dez operações desde o início da pandemia, sendo ao menos cinco investigando valores administrados direta ou indiretamente por órgãos do governo estadual. As investigações apuram superfaturamento de EPI fornecidos para equipes de saúde, fraudes em licitações e desvios de medicamentos do "kit intubação". O governador Waldez Góes, convocado pela CPI da Pandemia, foi blindado pelo STF junto com os demais governadores.
● PARCIALMENTE APURADO
Múltiplas investigações em curso. Nenhuma condenação de mandante. Waldez Góes foi posteriormente nomeado Ministro da Integração Nacional no governo Lula.
+
RR
Roraima
Antonio Denarium (PP) · Gov. 2019–2022
PF investigação CPI convocado
Investigação PF · Recursos federais Covid
Roraima foi incluído na convocação da CPI da Pandemia por suspeitas de desvios nos recursos federais repassados para combate à Covid-19. O governador Antonio Denarium declarou receber a convocação "com tranquilidade", afirmando não ver "motivação" para o chamamento. A PF investigou irregularidades na gestão dos recursos de saúde no estado.
● EM ANDAMENTO
Denarium impedido de depor na CPI por decisão do STF junto com os demais governadores convocados.
+
PA
Pará
Helder Barbalho (MDB) · Gov. desde 2019
PF investigação CPI convocado
Investigação PF · Desvios recursos Covid
Helder Barbalho foi convocado pela CPI da Pandemia por suspeitas de desvios nos recursos repassados pelo governo federal. O governo do Pará publicou nota afirmando "apoiar qualquer investigação que busque a proteção do erário público." O estado foi alvo de operações da PF no período pandêmico.
● EM ANDAMENTO
Barbalho foi reeleito governador em 2022 e é um dos nomes cotados para 2026. Sem condenação.
+
RO
Rondônia
Marcos Rocha (União/PSL) · Gov. desde 2019
Superfaturamento CPI convocado
Operação Polígrafo · Jul/2020
A PF apura desde julho de 2020 irregularidades na compra de kits rápidos para teste de Covid-19 pela Secretaria Estadual de Saúde. Foram mapeados indícios de irregularidades na dispensa de licitação e superfaturamento no valor dos testes. O governador Marcos Rocha foi convocado pela CPI para explicar os repasses federais recebidos.
● EM ANDAMENTO
Investigação criminal em curso. Marcos Rocha foi reeleito em 2022.
+
TO
Tocantins
Mauro Carlesse (PSL/PL) · Gov. 2018–2022
PF investigação CPI convocado
Investigação PF · Recursos Covid
Mauro Carlesse foi convocado pela CPI da Pandemia por suspeitas de desvios nos recursos federais repassados para o Tocantins. O estado foi alvo de investigações da PF sobre a aplicação de verbas destinadas ao combate à Covid-19.
● EM ANDAMENTO
Carlesse impedido de depor na CPI pelo STF. Perdeu eleição em 2022.
+
AC
Acre
Gladson Cameli (PP) · Gov. desde 2019
PF operações Investigado
PF · Investigações recursos pandemia
O Acre foi incluído entre os estados alvo de operações da PF contra desvios de recursos destinados ao combate à Covid-19. As investigações abrangem contratos emergenciais de saúde firmados durante a pandemia no estado.
● EM ANDAMENTO
Cameli reeleito em 2022. Sem condenações definitivas.
Região Nordeste — 9 Estados · Consórcio Nordeste como veículo supraestadual
Além dos desvios individuais por estado, o Nordeste criou um mecanismo coletivo de captura: o Consórcio Nordeste contratou empresa de comercialização de cannabis para importar R$ 48,7 milhões em respiradores que jamais chegaram. Os nove governadores — de partidos variados — estavam no mesmo guarda-chuva de responsabilidade.
+
BA
Bahia
Rui Costa (PT) · Gov. 2015–2022
Indiciado improbidade Op. Cianose
Operação Cianose · Fases I e II · 2022 e 2024
Como presidente do Consórcio Nordeste em 2020, Rui Costa presidiu a operacionalização da compra de 300 respiradores via Secretaria de Saúde da Bahia. O contrato foi com a Hempcare — empresa de cannabidiol com capital de R$ 100 mil e dois funcionários. Os equipamentos nunca foram entregues e os R$ 48,7 milhões não foram restituídos. Rui Costa foi indiciado por improbidade administrativa. Seu ex-secretário da Casa Civil Bruno Dauster foi alvo de busca e apreensão. R$ 3 milhões foram transferidos a um "consultor" com "influência política" junto ao governador.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Rui Costa foi nomeado Ministro da Casa Civil do governo Lula em 2023. Dauster, seu ex-secretário, acompanhou-o no governo federal. A segunda fase da Operação Cianose foi deflagrada em agosto de 2024.
+
RN
Rio Grande do Norte
Fátima Bezerra (PT) · Gov. desde 2019
Indiciada improbidade CPI estadual
CPI da Covid-19 RN · Consórcio Nordeste
A governadora Fátima Bezerra foi indiciada por improbidade administrativa no âmbito das investigações do Consórcio Nordeste. Cipriano Maia, secretário de Saúde do RN, foi indiciado por liberar verbas "sem a estrita observância das normas pertinentes." A CPI estadual instalada na Assembleia Legislativa do RN rastreou o dinheiro até a contratação da Hempcare pelo Consórcio.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Fátima Bezerra reeleita governadora em 2022. Em nota, o governo negou irregularidades e acusou a CPI de "uso político".
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PI
Piauí
Wellington Dias (PT) · Gov. 2015–2022
CPI convocado Consórcio NE
CPI Pandemia · Consórcio Nordeste
Wellington Dias foi um dos nove governadores convocados pela CPI da Pandemia no Senado — o único do Nordeste fora do escopo do Consórcio que motivou convocação individual. Integrou o grupo que recorreu ao STF para evitar os depoimentos. O Piauí foi alvo de investigações da PF sobre repasses federais para saúde.
● SEM CONDENAÇÃO
Wellington Dias foi nomeado Ministro do Desenvolvimento Social no governo Lula em 2023.
+
CE
Ceará
Camilo Santana (PT) · Gov. 2015–2022
PF operações Consórcio NE
PF · Investigações Covid · Consórcio Nordeste
O Ceará foi alvo de operações da PF relacionadas a desvios de recursos Covid-19. Integrou o Consórcio Nordeste na contratação da Hempcare. Camilo Santana foi considerado um dos governadores mais bem avaliados durante a pandemia, mas o estado não ficou imune a investigações federais.
● SEM CONDENAÇÃO
Camilo Santana foi eleito senador em 2022 e nomeado Ministro da Educação no governo Lula.
+
PB
Paraíba
João Azevêdo (PSB/Cidadania) · Gov. desde 2019
PF operações Consórcio NE
PF · Recursos Covid · Consórcio Nordeste
A Paraíba foi alvo de operações da PF no contexto dos desvios de recursos pandêmicos. Integrou o Consórcio Nordeste na compra frustrada de respiradores via Hempcare, contribuindo com sua parcela de aproximadamente R$ 4,9 milhões para os R$ 48,7 milhões totais — sem receber equipamentos.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
João Azevêdo reeleito em 2022.
+
PE
Pernambuco
Paulo Câmara (PSB) · Gov. 2015–2022
PF operações Consórcio NE
PF · Recursos Covid · Consórcio Nordeste
Pernambuco integrou o Consórcio Nordeste na compra fracassada de respiradores e foi alvo de operações da PF relacionadas a desvios de recursos federais. R$ 4,9 milhões do estado foram para a Hempcare sem contrapartida.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Paulo Câmara não disputou a reeleição em 2022.
+
AL
Alagoas
Renan Filho (MDB) · Gov. 2015–2022
PF operações Consórcio NE
PF · Recursos Covid · Consórcio Nordeste
Alagoas integrou o Consórcio Nordeste e foi alvo de investigações da PF no período pandêmico. O estado contribuiu com sua parcela para a compra frustrada de respiradores pela Hempcare.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Renan Filho foi eleito senador em 2022.
+
SE
Sergipe
Belivaldo Chagas (PSD) · Gov. 2018–2022
PF operações Consórcio NE
PF · Recursos Covid · Consórcio Nordeste
Sergipe integrou o Consórcio Nordeste na compra frustrada de respiradores e foi alvo de operações da PF. O estado contribuiu com aproximadamente R$ 4,9 milhões para o contrato com a Hempcare.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Belivaldo Chagas não disputou reeleição em 2022.
+
MA
Maranhão
Flávio Dino (PCdoB) · Gov. 2015–2022
PF operações Consórcio NE
PF · Recursos Covid · Consórcio Nordeste
O Maranhão foi alvo de operações da PF sobre desvios de recursos Covid e integrou o Consórcio Nordeste. Flávio Dino foi um dos governadores mais ativos politicamente durante a pandemia, mas o estado não ficou fora do radar das investigações federais.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Flávio Dino foi nomeado Ministro da Justiça (2023) e depois Ministro do STF (2023–presente), indicado pelo presidente Lula.
⚠ Senador com dinheiro na cueca — Roraima
Em outubro de 2020, durante a Operação Desvid-19, agentes da PF encontraram dinheiro escondido na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo Bolsonaro no Senado. As investigações da CGU e da PF apontaram desvio de recursos públicos no direcionamento de licitações para empresas que não eram contratadas pela Secretaria Estadual de Saúde de Roraima — prejuízo estimado de R$ 20 milhões. Rodrigues pediu para ir ao banheiro durante a busca e apreensão.
Caso Âncora · Padrão Supraestadual
Consórcio Nordeste × Hempcare — R$ 48,7 milhões · 300 respiradores · 0 entregues
Em abril de 2020, os nove governadores do Nordeste decidiram compra conjunta de 300 ventiladores pulmonares via Consórcio Nordeste. A operacionalização coube à Bahia, presidida por Rui Costa (PT). A empresa escolhida: Hempcare — capital social de R$ 100 mil, dois funcionários, atuação em medicamentos à base de cannabis. Sem experiência em respiradores. Sem histórico de contratos governamentais de porte.

O preço pago: R$ 48,7 milhões — o dobro do valor de mercado (a Biogeoenergy de Araraquara forneceria os mesmos equipamentos por R$ 28 milhões). A cláusula de seguro contratual foi removida deliberadamente, eliminando qualquer garantia de entrega.

O pagamento foi feito antecipadamente e de forma integral, sem garantias contratuais e contrariando orientação da Procuradoria Geral do Estado. Nenhum respirador chegou. Nenhum real foi devolvido.

Liberado o pagamento, R$ 3 milhões foram transferidos para um intermediário descrito como tendo "influência política" junto ao governador da Bahia — empresa em nome de familiares do receptor. A dona da Hempcare confessou à PF que sabia que o pagamento não era por consultoria legítima.

A CGU auditou e não encontrou justificativa para a escolha da empresa no processo licitatório. A Operação Cianose (PF) foi deflagrada em 2022 — 14 mandados. Segunda fase em agosto de 2024 — 34 mandados.
Linha do Tempo — Do Contrato ao Arquivo
MAR/2020
Consórcio Nordeste criado; governadores decidem compra conjunta de respiradores
ABR/2020
Contrato com Hempcare formalizado via SES-BA. Pagamento antecipado integral: R$ 48,7M. Cláusula de seguro removida.
2020–2021
Respiradores não entregues. Contrato rescindido sem restituição. Consórcio registra Boletim de Ocorrência.
2021
CPI do RN instaurada. CGU audita e aponta ausência de justificativa para escolha da Hempcare.
ABR/2022
Operação Cianose Fase I: 14 mandados em BA, DF, RJ, SP. Cristiana Taddeo (Hempcare) presa; solta depois.
2022
Rui Costa eleito senador? Não. Não disputa. Mas é nomeado Ministro da Casa Civil em 2023.
AGO/2024
Operação Cianose Fase II: 34 mandados. Investigação ainda tenta recuperar valores e punir responsáveis.
2024
Nenhum mandante condenado definitivamente. Dois ex-governadores envolvidos: ministros de Estado.
P1 em ação — STF como chokepoint
"A maioria do STF impediu a convocação dos governadores pela CPI da Pandemia, sob argumento de que a convocação de chefes estaduais do Executivo excederia os limites constitucionais da atividade investigatória do Poder Legislativo federal." — Agência Brasil, jun/2021. Os mesmos governadores que recorreram ao STF para não depor foram posteriormente nomeados ministros pelo governo que assumiu em 2023.
Sul · Sudeste · Centro-Oeste — Casos Selecionados
O padrão não é regional — é sistêmico. Rio de Janeiro (Witzel), Santa Catarina (Moisés) e Distrito Federal (Ibaneis) replicam o mesmo mecanismo em contextos ideológicos distintos, confirmando que a variável determinante é o acesso ao erário emergencial, não a filiação partidária.
+
RJ
Rio de Janeiro
Wilson Witzel (PSC) · Gov. 2019–2020
Impeachment Afastado
Op. Placebo · Op. Mercadores do Caos · STJ
Witzel foi afastado do cargo e investigado por desvios em contratos de combate à Covid-19, incluindo compras de respiradores. O MP Estadual deflagrou a Operação Mercadores do Caos, apontando organização criminosa que desviou R$ 18 milhões. O ex-subsecretário de Saúde Gabriell Neves foi preso. A PF executou 12 mandados do STJ, incluindo buscas na residência de Witzel e de sua esposa Helena. Também foram alvos o então vice-governador Cláudio Castro e o presidente da Alerj André Ceciliano (PT).
● PARCIALMENTE PUNIDO
Witzel sofreu impeachment (único governador a ser efetivamente afastado). Cláudio Castro assumiu e foi eleito governador em 2022. Processo no STJ em andamento.
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SC
Santa Catarina
Carlos Moisés (PSL/Republicanos) · Gov. 2019–2022
2× absolvido impeachment Empresa fantasma
Veigamed · R$ 33M · Op. Pleumon
R$ 33 milhões pagos em cinco horas à Veigamed — empresa sediada em residência em Nilópolis/RJ, capital social de R$ 1,6M, especializada em gaze e mobília hospitalar, nunca havia vendido respiradores. O TCE-SC apontou o endereço como incompatível com o capital declarado desde abril de 2020. No mesmo endereço: outras duas empresas registradas. Dos 200 respiradores contratados: 50 entregues, incompatíveis com UTIs. R$ 19M não recuperados. Cinco desembargadores do TJSC votaram pela condenação de Moisés no impeachment. Quatro deputados estaduais votaram pela absolvição — resultado: 6×4, um voto abaixo do quórum necessário.
● ABSOLVIDO · 2× IMPEACHMENT
TCE-SC condenou por unanimidade em set/2023 os operadores ao ressarcimento. Governador não integrou a lista de responsabilizados pelo TCE. PF e MPSC arquivaram inquérito em relação à conduta do governador.
+
DF
Distrito Federal
Ibaneis Rocha (MDB) · Gov. desde 2019
Op. Falso Negativo CPI convocado
Operação Falso Negativo · MPDFT
O MPDFT investigou supostas irregularidades na compra de testes para detecção de Covid-19 pela gestão do Distrito Federal na Operação Falso Negativo. Ibaneis Rocha foi convocado pela CPI da Pandemia e integrou o grupo de governadores que recorreu ao STF para evitar os depoimentos.
● SEM CONDENAÇÃO DEFINITIVA
Ibaneis Rocha reeleito em 2022. Foi brevemente afastado pelo STF em jan/2023 por omissão nos atos golpistas, depois reintegrado.
+
MS / RS / GO / MG
Centro-Oeste · Sul · Sudeste
Múltiplos governadores
77 ops PF total 20 UFs
PF · 77 operações em 20 UFs (abr/2020–abr/2021)
Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná também foram alvos de operações da PF contra desvios de recursos Covid-19. O mapeamento da PF cobre 20 unidades federativas com pelo menos uma operação deflagrada. As investigações abrangem compra de respiradores superfaturados, construção irregular de hospitais de campanha, insumos não entregues e fraudes em licitações emergenciais.
● INVESTIGAÇÕES EM ANDAMENTO
12 prisões preventivas e 140 prisões temporárias no período abr/2020–abr/2021. Contratos sob investigação: valor total superior a R$ 100 milhões.
Diagnóstico Estrutural — P3 (Seletividade Punitiva) × P7 (Regulador Omisso)
O corpus pandêmico não é uma coleção de desvios individuais. É a manifestação de um mecanismo sistêmico único que opera com independência de partido, região e ideologia do governante. A variável determinante é o acesso a verbas emergenciais com dispensa de licitação — e a certeza operacional de impunidade no nível do mandante.
Mecanismo Comum — Reproduzido em 20 UFs
01 · JANELA
Crise emergencial legitima dispensa de licitação. Velocidade de decisão elimina controles ordinários.
02 · EMPRESA
Contratação de empresa sem histórico, capacidade ou habilitação técnica. Frequentemente: endereço residencial, capital incompatível.
03 · PAGAMENTO
Pagamento antecipado e integral, sem garantias contratuais. Recursos saem do erário antes de qualquer entrega.
04 · NÃO ENTREGA
Equipamentos não chegam ou chegam parcial/incompatíveis. Dinheiro não é devolvido.
05 · OPERAÇÃO
PF deflagra investigação. Operadores e intermediários são presos temporariamente. Mandantes permanecem sob investigação.
06 · ISOLAMENTO
Investigação é isolada nos operadores. Mandante não é alcançado por falta de prova direta ou por decisão processual.
07 · BLINDAGEM
STF impede convocação de governadores pela CPI federal. Foro privilegiado protrai o processo no STJ.
08 · REELEIÇÃO
Mandante é reeleito, eleito senador, ou nomeado ministro. O ciclo recomeça com novos recursos e novos contratos.
A Assimetria Punitiva Pandêmica
O sistema capturado demonstra sua natureza com precisão clínica no contraste pandêmico:

Jan/2023: ~1.500 pessoas condenadas, penas de até 17 anos, por danos ao patrimônio público durante os atos de 8 de janeiro. Processamento em velocidade máxima.

2020–2024: R$ 2,27 bilhões investigados em desvios de verbas Covid. 77 operações da PF. 20 estados. Zero mandantes condenados definitivamente. Vários nomeados ministros de Estado.

Esta não é uma falha do sistema. É o sistema operando conforme sua lógica estrutural: máxima velocidade punitiva para quem ameaça o controle narrativo e do poder; velocidade mínima para quem desvia recursos dentro da estrutura. Os que desviam são funcionais ao sistema. Os que protestam são ameaça ao sistema.

O mecanismo P3 (Seletividade Punitiva) e P7 (Regulador Omisso/Capturado) operam aqui em regime de inversão simétrica: anulação para cima, aceleração para baixo. O STF como chokepoint (P1) completa o triângulo, impedindo que a investigação parlamentar alcance os mandantes estaduais.
Registro para o corpus · Entrada sugerida · P3+P7 · ID pendente
"Pandemia como Janela de Extração Sistêmica (2020–2021): 77 operações da PF em 20 UFs investigando R$ 2,27B+ em desvios de recursos emergenciais. Mecanismo recorrente: dispensa de licitação → empresa fantasma → pagamento antecipado → não entrega → investigação isolada em operadores → mandante blindado por foro privilegiado (STJ) e pelo STF (impedimento de CPI). Desfecho padrão: mandante reeleito ou nomeado ministro. Nenhum governador condenado definitivamente por desvio pandêmico até 2024. Padrões ativos: P3 (seletividade punitiva invertida), P7 (regulador capturado/omisso), P1 (anulação via foro e STF como chokepoint)."