lawfare-timeline · corpus · atualizado 28 abr 2026
Matriz de Emaranhamento
7 operações anticorrupção. Os mesmos padrões, os mesmos vetores, os mesmos desfechos. Mapeamento sistêmico das conexões transversais — Mare Liberum integrada.
Em nenhuma das operações extintas o investigado foi absolvido no mérito. Sempre por irregularidade processual: denúncia anônima (CA), ABIN ilegal (SA), incompetência territorial + parcialidade (LJ). Na ML: 4 anos de investigação interna sem mandado declarado é o novo alvo.
P02
O investigador vira investigado
Protógenes (SA): expulso da PF, asilado na Suíça. Moro (LJ): declarado parcial. Dallagnol (LJ): mandato cassado. Andrei Rodrigues (BM): relatório chamado de "lixo jurídico". Na ML: latente — lag histórico de 12–24 meses.
P03
Captura judicial de emergência
Único padrão presente em 100% das 4 operações-núcleo. Gilmar (SA: 2 HC em 48h), Asfor Rocha (CA: liminar no recesso), Fachin (LJ: anulação), Toffoli (BM: sigilo removido após conflito de interesse revelado). Na ML: 25 afastamentos via TRF-2 = 25 potenciais HC.
P04
Weaponização da mídia
SA: Globo filmou exclusivamente a prisão de Pitta em pijama — virou argumento para expulsão de Protógenes. LJ: Moro vazou gravação de Lula fora do prazo. BM: Vorcaro acessou sistema sigiloso da PF para "esquentar" prova via site. ML: frame "maior operação da RFB" lançado no mesmo dia.
P05
Cofres públicos como vetor
Presente em 100% do corpus. LJ: Petrobras. CA: licitações públicas. SA: fundos de pensão e concessões de telecom. BM: o FGC como garantia implícita para captar R$ 50B. ML: o auditor fiscal é o mecanismo estatal comprado — nó de verificação do Estado.
P06
Prescrição como âncora estratégica
CA: anulada 2011, recomeçou, prescreveu. LJ: tríplex e sítio prescreveram na redistribuição Curitiba→Brasília. ML: fatos desde jul/2021. Se a defesa fragmentar 17.000 DIs em episódios individuais e travar a redistribuição, janela prescricional 2026–2030.
P07NOVO 2025
Infraestrutura advisória compartilhada
Emergente: fundos fechados de cota única aparecem como veículos de lavagem em BM, CO, PL e Greenwashing — sugerindo assessoria jurídico-financeira comum. CO: 40 fundos para blindar R$ 30B. ML: hipótese — estrutura das "dezenas de milhões" em propinas ainda não revelada.
Observação metodológica: P03 é o único padrão presente em 100% das 4 operações-núcleo (SA, CA, LJ, BM). P05 é o mais distribuído no corpus completo de 7 operações. P07 é emergente — confirmado em 3 operações, hipótese em mais 2.
Fichas — 7 operações ordenadas por data de deflagração
Padrões ativos5,5/7 — perfil de risco máximo no D0
StatusDeflagrada 28/abr/2026 — investigação em curso
Efetividade penalindefinida · D+0
Presença dos 7 padrões nas 7 operações
Padrão
Mare Liberum
Compliance Zero
Carbono Oculto
Poço de Lobato
Lava Jato
Castelo de Areia
Satiagraha
P01 — Vício processual
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P02 — Investigador investigado
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P03 — Captura judicial
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P04 — Weaponização mídia
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P05 — Cofres públicos
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P06 — Prescrição estratégica
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P07 — Infra advisória
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Padrões ativos
5,5/7
7/7
3,5/7
3/7
6/7
4/7
4/7
● Documentado◑ Forte evidência◔ Parcial / latente— Ausente
Mare Liberum em perspectiva: 5,5/7 padrões no dia da deflagração é o segundo maior perfil de risco do corpus — apenas o Banco Master (em andamento há mais de um ano) acumula os 7/7. A diferença: BM acumulou padrões ao longo do tempo; ML entrou com 5,5 no D+0, o que é inédito no corpus.
Intensidade de ativação dos padrões por operação
ML
BM
CO
PL
LJ
CA
SA
Score
● Documentado (4)◑ Forte (3)◔ Parcial (2)○ Vago (1)— Ausente (0)Score = % da intensidade máxima por padrão
Score de captura institucional por operação (índice composto)
Base: magistrado superior suspeito · anulação atípica · investigador punido · ator político · prescrição induzida · lavagem sofisticada
Conexões documentadas entre operações
ML↔CO
Porto do RJ · setor combustíveis · sobreposição temporal
Carbono Oculto atuou no RJ com importação fraudulenta de combustíveis (2021–2025). ML cobre Jul/2021–Mar/2026 no mesmo porto. Mecânica diferente (admissão temporária vs. interposição fraudulenta), mesmo setor, mesma janela. Conexão operacional não confirmada em fontes públicas.
ML↔PL
Corredor portuário RJ · Grupo Refit · diesel russo
Poço de Lobato documentou uso de portos do RJ pelo Grupo Refit para importação de diesel russo. Sobreposição temporal direta (2021–2026). Pergunta aberta: alguma das 17.000 DIs da ML coincide com operações Refit já mapeadas pela RFB?
ML↔LJ
Servidor como nó central · setor de O&G
Lava Jato: diretores Petrobras corrompidos por empreiteiras. ML: auditores fiscais corrompidos diretamente por importadores. Modelo estrutural idêntico — diferença: na ML o servidor é o próprio mecanismo de verificação, não apenas um intermediário. Setor de O&G como vetor comum.
ML↔BM
P07 — infraestrutura advisória · fundos fechados
Banco Master: fundos fechados como veículo central de lavagem. CO: 40 fundos para blindar R$ 30B. Se as "dezenas de milhões" em propinas da ML usaram estrutura similar, confirma P07. Hipótese a confirmar via estrutura patrimonial dos 25 servidores afastados.
ML↔SA
Corregedoria interna — força e vulnerabilidade
Satiagraha: participação informal da ABIN como calcanhar de Aquiles. ML: Corregedoria da RFB co-lidera, o que elimina o risco da ABIN — mas 4 anos de monitoramento interno sem mandado declarado cria risco análogo. Estrutura do P01 se reproduz em nova configuração.
ML↔CA
Prescrição via redistribuição · Porto como locus histórico
CA: anulada 2011, recomeçou, prescreveu na redistribuição. ML: se houver questão de competência Porto do Rio vs. Galeão (alfândegas distintas) ou RJ vs. Brasília, a janela prescricional se abre pelo mesmo mecanismo. O Porto do Rio tem histórico de investigações nunca concluídas.
CO↔PL
Grupo Refit · combustível russo · cadeia PCC
CO e PL são operações explicitamente vinculadas: nota oficial da RFB sobre Poço de Lobato a classifica como "ligada à Operação Carbono Oculto". Grupo Refit (PL) fornecia combustível para a rede PCC desarticulada na CO. Uso de "fintechs banco-bolsão" e fundos REAG como padrão comum.
BM↔CO
Fintechs conta-bolsão · créditos de carbono fictícios
CO documentou fintechs conta-bolsão para transitar R$ 46B em transações. BM usou modelo similar de fundos fechados e instrumentos de captação irregular. Família Vorcaro (BM) também tinha projeto de créditos de carbono em terras públicas da Amazônia — investigado em Greenwashing.
Atores presentes em 2+ operações (clique para expandir)
Gilmar Mendes
Ministro STF — Decano desde 2021
SALJCA
SA: concedeu 2 HC a Daniel Dantas em menos de 48h — Dantas entrou preso segunda-feira, saiu quarta. LJ: presidiu 2ª Turma que anulou condenações de Lula por incompetência territorial. CA: votou pela manutenção da decisão do STJ que anulou a operação. Múltiplos pedidos de suspeição indeferidos ao longo da carreira.
Dias Toffoli
Ministro STF — ex-relator Banco Master
BMLJ
BM: assumiu relatoria no STF, decretou sigilo máximo ao pedido da defesa de Vorcaro. Revelado: cunhado de Vorcaro investiu em resort da família Toffoli. Removido da relatoria — redistribuída para André Mendonça. LJ: participou de votos que reduziram o escopo das investigações. Padrão P03 em duas operações distintas.
Receita Federal — Corregedoria
Órgão investigador interno
MLCOPL
Mare Liberum: Corregedoria co-lidera operação desde fev/2022. Carbono Oculto: Receita liderou e identificou 40 fundos, 1.000+ postos irregulares. Poço de Lobato: Receita reteve 180M litros de diesel russo e documentou LLCs em Delaware. A Corregedoria se torna um ator investigativo sistêmico no corpus a partir de 2025.
GAECO/MPF
Grupo de Combate ao Crime Organizado — MPF
MLCOBM
Presente como co-executor nas três operações mais recentes do corpus. Na ML: co-assina a operação com PF e RFB, criando proteção institucional adicional contra o padrão P02 (investigador investigado). A presença do GAECO como parceiro sistemático é uma evolução em relação às operações anteriores (SA, CA, LJ), onde havia mais agentes isolados.
Ricardo Magro
Controlador Grupo Refit — Miami (EUA)
PLCO
Poço de Lobato: alvo central, residente em Miami com green card americano. Controla 50+ empresas incluindo J. Global Holding (Houston). Citado nominalmente por Lula em conversas com Trump. CO: distribuidoras do Grupo Refit forneciam combustível para rede PCC. Portador de green card americano cria exposição OFAC e potencial FCPA para qualquer banco que transacionou com o grupo.
Daniel Vorcaro
Controlador Banco Master — 2 prisões em 2025
BM
Banco Master: 2 prisões em 4 meses, ambas seguidas de soltura. Conexão com Toffoli via cunhado que investiu em resort da família do ministro. Acessou ilegalmente sistemas da PF e usou site para "esquentar" informação sigilosa. Família Vorcaro também investigada em Greenwashing (créditos de carbono fictícios em terras públicas da Amazônia).
Protógenes Queiroz
Ex-delegado PF — asilado político Suíça desde 2016
SA
Satiagraha: conduziu a operação, foi condenado pelo STF a 2,5 anos e expulso da PF pela participação da ABIN. Caso paradigmático do P02: o único condenado pela Satiagraha foi o delegado que investigou, não o banqueiro que foi preso. Hoje asilado político na Suíça. Seu destino é citado como efeito dissuasório sobre investigadores que considerem avançar contra o poder.
Sérgio Moro
Ex-juiz LJ — declarado parcial pelo STF em 2021
LJ
Lava Jato: juiz da 13ª Vara de Curitiba por 7 anos. Declarado parcial pelo STF em 2021 — condenações de Lula anuladas. Tornou-se ministro da Justiça no governo Bolsonaro imediatamente após deixar a magistratura. Dallagnol (procurador-chefe da LJ) teve o mandato de deputado cassado. O padrão P02 os atingiu com intensidades diferentes mas pelo mesmo mecanismo sistêmico.
Padrão estatístico: A presença dos mesmos mecanismos (HC atípico, anulação processual, investigador punido) em operações com investigadores, juízes e empresas completamente diferentes — em anos distintos — é consistente com uma arquitetura de proteção que se adapta a cada nova operação sem depender dos mesmos atores individuais.
KPIs de impunidade — corpus completo
0%
Efetividade CA e SA
0 condenações mantidas em 2 operações
~30%
Efetividade LJ residual
Somente condenações não-Lula mantidas
~4%
Valor recuperado / investigado
R$ 12B recuperados / R$ 310B corpus
2,4 anos
Tempo médio até anulação
CA: 2a · SA: 3a · LJ: 7a
3–4
Escritórios de defesa recorrentes
Toron, Vilardi, Mendonça — múltiplas ops
6+
Atores em 2+ operações
Juízes STF, advogados, empresas
Taxa de efetividade penal por operação
A aritmética da impunidade: das 7 operações do corpus, 2 têm efetividade 0%, 1 tem ~30% residual, e 4 estão em andamento com desfecho indefinido. A probabilidade estatística de que 4 operações simultâneas em andamento todas resultem em condenação integral — contrariando o padrão histórico de 83% de extinção ou redução severa — é sistematicamente baixa enquanto os mesmos mecanismos estruturais (P01–P07) permanecerem ativos.